Quando o amor vira silêncio

O amor acaba. Ninguém quer ouvir isso. A gente cresce ouvindo que se for amor de verdade, ele dura. Que o amor tudo suporta, tudo crê. Mas não é bem assim. Ele já foi riso largo no meio da rua, mãos que se buscavam no escuro do cinema, café dividido em silêncio. Já foi plano, já foi abrigo. Já foi uma mensagem dizendo “chega bem” e o coração disparando só com o nome na tela. Já foi colo no dia ruim, piada boba no almoço de domingo. Já foi promessa sussurrada no meio da madrugada.

Mas um dia, sem raiva, sem grito, ele apenas ficou menor. Foi desbotando devagar. Parou de fazer morada nos olhos. Sumiu dos toques distraídos, dos assuntos espontâneos, dos futuros inventados. Não foi culpa de ninguém. Só parou de crescer.

Tem gente que acha que o fim do amor precisa ser tragédia, cena de novela, prato quebrado, porta batida. Mas às vezes ele só vai embora de mansinho. Vai saindo pela fresta das rotinas. Some dos aniversários lembrados, dos beijos por impulso, do cuidado diário. O amor, que um dia foi fogo, vira brisa. E depois, silêncio.

E aí, num dia qualquer, você percebe: não dói. Não como você imaginou. Só pesa. Uma saudade do que foi, e um estranho alívio por ter sentido tudo aquilo. Você olha pra pessoa e não sente raiva, nem paixão, nem pressa. Só um carinho antigo, como um livro que você já leu e amou, mas não precisa mais reler.

O amor acaba. E isso não precisa ser tragédia. Pode ser apenas fim. Pode ser aprendizado.
Pode ser paz.
E isso também é amor ou o que sobra dele.

Está gostando do conteúdo?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Todos os direitos reservados Charlotte. Desenvolvido por Board Digital